Uso de Verbas Discricionárias no Âmbito Estadual de Alagoas: uma solução para os tempos de escassez orçamentária

Autor: Eraldo Henrique de Souza Amaral

Publicado: 28/07/2026

Este artigo examina o papel das transferências voluntárias (TVs), um componente chave das verbas discricionárias da União, como instrumento de gestão pública em cenários de restrição orçamentária no âmbito estadual em Alagoas. Em um contexto de crise fiscal e crescente demanda por políticas públicas descentralizadas, a discricionariedade inerente às TVs oferece uma via crucial de financiamento, embora permeada por fatores de ordem política. A gestão dessas parcerias é regida pela Lei n.º 14.133/2021 e operacionalizada pelo Sistema de Gestão de Parcerias da União (Sigpar), por meio do Transferegov.br (Decreto n.º 11.271, 2022; Portaria Conjunta MGI/MF/CGU n.º 33, 2023). O ciclo de gestão demanda rigoroso cumprimento de requisitos técnicos e fiscais, como a qualidade do projeto que será executado, a regularidade na aplicação de recursos mínimos em saúde e educação (Art. 29 da Portaria Conjunta MGI/MF/CGU n.º 33, 2023), a necessidade da garantia de transparência por meio de vistorias frequentes realizadas pelos entes de interesse, e, por fim, a prestação de contas após a execução do objeto, devendo ela apontar também se este cumpriu seus objetivos definidos previamente no momento de sua proposição ao concedente. Gargalos institucionais, como a "condição suspensiva" e a baixa capacidade técnica nos entes subnacionais para manejar com qualidade mínima o projeto, frequentemente resultam em inexecução e devolução de recursos, evidenciando a necessidade de maior eficiência alocativa, no âmbito estratégico e de pessoal, para maximizar o retorno social em tempos de escassez.

Palavras Chaves : Transferências voluntárias; Escassez orçamentária; Gestão pública; Governança federativa.